domingo, 30 de março de 2008

Design sustentável

Esse vídeo traz uma solução simples e barata para tranformar o design de um vaso sanitário de maneira que reduza o desperdício de aguá, preocupação indispensável para qualquer designer nos dias de hoje.
Confiram, é sensacional!


http://www.youtube.com/watch?v=r6YMhjlSGAE


vídeo retirado do site: http://super.abril.com.br

domingo, 23 de março de 2008

Um olhar sobre design

Design é um mecanismo, fruto da vivência, estudos, e pesquisas, utilizado pelo ser humano para dar forma em qualquer matéria prima a fim de chegar a uma solução consistente que atenda a suas necessidades. Assim, todos os passos que antecedem a chegada a uma resposta para os anseios materiais do homem estão relacionados à função do design. Dessa maneira, podemos dizer que ele é o elo que une as ferramentas de um escultor a sua escultura, as linhas e agulha de uma costureira a sua peça de lã, as mãos de um artesão a seu adereço cuidadosamente trabalhado.

Partindo dessa definição, o design se mostra muito mais antigo que o termo que o denomina. Para se locomover com mais eficiência e transportar cargas mais pesadas que aquelas suportadas pela resistência humana, o homem primitivo, com sua observação, comparação e experiência de vida, desenvolveu uma forma simples e funcional que atendesse a sua necessidade. Sem perceber, o nosso ancestral exerceu a função de um designer; foi capaz de estudar e criar a roda, forma absoluta que, desde então, acompanha o caminhar do homem através da história.
O design passou a fazer parte do cotidiano humano e não mais se desconectou dele, o que mudaram foram as necessidades e como elas foram resolvidas pelos designers.

Consumo: o design tem um novo e definitivo foco

Como marco das mudanças econômicas e sociais do ocidente e, posteriormente do mundo como um todo, temos a Revolução Industrial, momento da história em que o homem, com o conhecimento de novas tecnologias, passa de uma produção manufaturada de produtos destinados ao comércio para a produção maquinofaturada, capaz de produzir mais em menos tempo. Agora, a burguesia industrial não pode esperar que o consumidor precise do produto para comprá-lo, ele tem que adquiri-lo mesmo sem precisar, pois as fábricas precisam livrar-se dos estoques para continuarem a produção e lucrarem mais.

A partir desse momento, o design que surgiu apenas pela necessidade de facilitar as atividades do homem precisa se renovar e ganhar outros valores, é fundamental que as novas formas sejam atrativas, atuais, que estejam em dia com a moda e agradem aos consumidores. A necessidade não é mais uma roda que gire e sim uma roda que seja vendida para o maior número de pessoas, mesmo que esta seja uma roda quadrada.

Design e o meio

Desde a Revolução Industrial, o design está intimamente ligado ao consumo, por esse motivo é importante que ele esteja sempre de acordo com os gostos de sua época, sempre antenado com o meio social em que está inserido. Dessa maneira, assim como a Arte tem o poder de revelar aspectos de uma sociedade, como o seu espaço, tempo, modo de vida, o design possui estas mesmas características. Por exemplo: a forma de um objeto que fosse inventado na Alemanha Ocidental na época da Guerra Fria, certamente seria outra se esse mesmo objeto fosse criado inicialmente na Alemanha Oriental. No contexto capitalista, cores, desenhos e formas seriam estudadas a fim de atraírem um maior número de consumidores, precisassem eles ou não do produto em questão, pois nesse sistema o importante é o movimento de capital. Já no meio socialista, a preocupação em seduzir os sentidos dos compradores seria deixada em segundo plano, uma vez que o produto seria adquirido se fosse útil, e não por mero consumismo, percebe-se que o design de um objeto é capaz de dizer muito sobre o meio no qual ele foi concebido.

Alguns trechos do filme “Goodbye, Lenin! ”, dirigido por Wolfgang Becker, ilustra bem essa relação entre o design e o meio.

Para sustentar sua grande mentira e não permitir que sua mãe, idealista do sistema socialista e recém acordada de um coma de 8 meses, descubra que o Muro de Berlim caiu e toda a Alemanha agora está tomada pelo capitalismo, Alex (interpretado por Daniel Brühl), é obrigado a redecorar o quarto de sua mãe com as mobílias e objetos ainda usados na época da divisão dentro da Alemanha Oriental. O vídeo abaixo mostra esse momento do filme:

Câmara de bronzeamento artificial, persianas com cores vibrantes, poltronas e televisor modernos, são alguns dos objetos que se encontram no quarto antes de Alex redecorá-lo para a antiga moda oriental socialista, depois de fazê-lo, o cômodo escurece para tons de cinza e marrom, a cortina é substituída por uma com um design adequado ao sistema, um lustre antiquado é colocado novamente, os móveis grandes e carregados com cores escuras são arranjados no quarto de tal forma que não se reconhece mais o antigo cômodo.

Nesse outro trecho (vídeo abaixo), Lara , namorada de Alex, que tinha sido obrigada a vestir roupas usadas anteriormente à queda do Muro de Berlim, dispa-se delas por outras já adequadas ao sistema capitalista. Sua saia de brim com cores frias é substituída por uma (provavelmente de seda ou crepe) amarela de tonalidade forte e quente, a blusa de botões e tecido pouco maleável, também é trocada por outra de lycra e mais decotada que a anterior.

Por último, esse outro vídeo mostra melhor ainda a diferença de gostos dos dois lados tão próximos e tão distantes ao mesmo tempo.

Aproveitando que Alex está dormindo, sua mãe Christiane (Katrin Saß) levanta da cama e sai de casa para ver o mundo fora de seu quarto, para sua surpresa, no mesmo momento, uma família que morava na antiga Alemanha Ocidental está se mudando para o mesmo prédio que o seu e colocando os móveis na calçada a sua frente. O que se vê são luminárias de cores gritantes, cadeiras ergonômicas com designs sofisticados, televisões e rádios modernos e um abajur decorado com pelúcia cor de rosa que jamais seria visto dentro e uma típica casa apegada aos dogmas socialistas.